Web 2.0 e rock'n roll

As redes sociais fazem-me lembrar muito o rock'n roll, são feitas por pessoas que pouco percebem de computadores e, no entanto, algumas delas têm muito sucesso; a diferença é que em 2008 os músicos utilizam meios semelhantes aos de 1968, enquanto os meios utilizados pelos informáticos de hoje não são nada parecidos com os de 1998.

São as consequências da globalização e da sociedade da informação: Rodolfo Chikilicuatre representa a Espanha na Eurovisão e um par de cromos cria um sítio Web para carregar vídeos na Internet, vende-o à Google e faz uma fortuna. Além disso, os aspirantes a cromos dão-se ao luxo de criticar as pessoas que trabalham na Google, mas, meu caro, são elas que vos vão tornar ricos e, além disso, a Google não está propriamente à procura de idiotas para incorporar na sua empresa.

No caso do rock'n roll, se olharmos para trás, vemos que a maior parte dos grupos de sucesso mal estudaram teoria musical, e gabam-se disso, e dizemos como o meu vizinho, que é professor de piano e canto, ensaia (apesar de mim) 10 horas por dia e é muito inteligente, mal consegue sobreviver com a música, poderíamos comparar Iván Raña (triatleta) com Ronaldo e o resultado seria semelhante.

Na web 2.0 acontece algo semelhante, mas atenção, os produtos da Internet são perecíveis, têm de ser bem conservados e consumidos rapidamente, não são como as latas de mexilhões que podiam representar o rock'n roll, vale a pena lembrar que ainda hoje se vendem discos dos Rolling Stones, as redes sociais são como os iogurtes, só duram um mês, e também passam de moda: há dois anos foi a vez do iogurte grego, no ano passado foi a vez dos pedaços de fruta, e agora é a vez do rato,... Penso que para o ano haverá iogurtes super-vitaminados e super-mineralizados, depois iogurtes biológicos, e por aí fora. O que me surpreende no mundo das redes sociais é o facto de os especialistas, os gurus, saberem muito pouco sobre a Internet, e será outra coisa se falarmos de angariação de investimentos, ou seja, se falarmos em público do tema da Web semântica, dizem-nos que é algo muito técnico, por isso é melhor não falarmos de algoritmos de inteligência artificial.

Uma das coisas que a semântica faz na Internet é gerar automaticamente páginas com ligações a outras páginas, e isso é ótimo para motores de busca como o Google, hoje em dia há muito poucos motores semânticos, por isso imagino que o Google os filtre à mão, mas no momento em que um burro informático como eu conseguir utilizar um programa deste tipo com a mesma facilidade com que utilizo o WordPress neste momento, outro galo cantará. Por vezes duvidei que a web 2.0 pudesse ser considerada de base tecnológica, hoje penso que em 2002 era certamente, mas em 2008 não.


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