Sistemas emergentes X: Transparência

A Wikileaks abriu um frasco de essências que já lá estava há muito tempo, mas que ninguém tinha reparado ou que ninguém tinha conseguido abrir.

O facto é que o Governo dos Estados Unidos tentou encerrá-la à força, e não só não o conseguiu como está prestes a quebrá-la e a espalhar o seu odor indelével por todo o mundo.

Contra a transparência da Wikileaks. Obviamente, a transparência nunca pode ser absoluta, pois acabaria em exibicionismo e demência.

A transparência é um contra-ataque, se quisermos ver dessa forma, contra a Mudança em que vivemos, trata-se de combater a mudança com as suas próprias armas. É a melhor solução.

A transparência torna-nos conscientes dos nossos segredos, e os nossos segredos são fraquezas que devemos proteger com o maior cuidado.

Para ser transparente, é preciso saber onde, como e quando contar as coisas, é preciso compreender as redes sociais, sejam elas tradicionais ou modernas. Podemos publicar oficialmente, pessoalmente, dizer as coisas de forma enigmática em 140 caracteres ou filtrá-las e deixar que outra pessoa as diga. Se delegarmos através de fugas de informação, devemos ter em conta a capacidade de ressonância do nosso interlocutor e o seu desejo de se passar.

Se o Governo dos Estados Unidos tivesse sido um pouco transparente no caso Wikileaks, ter-nos-ia dado a possibilidade de aceitar com humor a informação que daí resultou. O problema é que lhes faltou a humildade para admitir que um líder político é também uma pessoa e, como tal, faz coisas pouco éticas e até comete erros.

Penso que haverá muitos mais Wikileaks do que este, porque em qualquer empresa há sempre pessoas zangadas, pessoas dispostas a contar coisas com o único objetivo de se vingarem da pessoa que as irritou. Um sítio Web distribuído, um P2P com um endereço na Internet (por exemplo, o Bittorrent) não pode ser derrubado sem mais nem menos, porque quando se corta um, crescem dez. É uma guerra de guerrilha e já sabemos o que aconteceu no Vietname a um exército poderoso que lutava contra guerrilheiros.

Os sistemas emergentes têm a transparência como norma porque há muitas interacções e, para interagir muito, é preciso cruzar-se com outros muitas vezes e, para cruzar-se com outros muitas vezes, é preciso estar visível.


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